
Pare para pensar quantas vezes, nos últimos tempos, você disse as frases “Estou sem tempo” ou “Ando cansado demais”. Se chegou à conclusão de que foram muitas, cuidado! Pode ser uma falha no gerenciamento das tarefas cotidianas, consequência direta de uma vida acelerada, que leva ao desgaste físico e mental.
Na contramão de um ritmo de vida frenético, há quem aposte em desacelerar a rotina em busca do bem-estar. A tendência, a propósito, já ganhou até nome: Movimento Slow. “Essa filosofia aponta para uma reflexão necessária sobre a cultura do consumo excessivo e a necessidade e os benefícios de fazer tudo em seu tempo e com mais foco”, comenta Patrícia Bader, psicóloga do Hospital e Maternidade São Luiz, de São Paulo.
A ideia do movimento slow abrange todas as áreas da vida, tudo o que você faz. Ela vai contra a nossa aceleração diária e ao costume de fazermos mil coisas ao mesmo tempo – muitas delas no piloto automático. Mas os ganhos não são somente pessoais, mas para a nossa comunidade, o nosso meio ambiente, etc. (pode obter mais informações na página do Slow Movement Portugal ou, na página internacional The Slow Movement).
Praticamente tudo na vida pode ser adaptado à ideia do slow, cada uma de uma maneira diferente, mas sempre priorizando a ideia da apreciação e desaceleração da atividade praticada. Conheça as principais vertentes:
Slow work
O foco é trabalhar menos para trabalhar mais. Apesar de soar contraditório, faz sentido se você pensar que passar horas a fio trancafiada no escritório após o expediente ou levar tarefas para casa todos os dias são alguns dos principais gatilhos para crises de estresse, ansiedade, insônia e depressão. Aí, já viu, né? Bloqueio criativo constante e, em casos mais graves, afastamento médico.
Slow travel
Nem pense em acordar super cedo para sair batendo ponto em todos os cartões-postais das cidades que for visitar. “Estar descansada e aproveitar a viagem sem correria é essencial para que o cérebro registre e armazene esses momentos felizes, já que isso exige uma dose extra de atenção e tempo para criar vínculos com o lugar”, acrescenta Patrícia Bader. Então, seja qual for seu próximo destino, reserve uns dias a mais ou crie uma lista de prioridades.

Slow sex
É isso mesmo que você está pensando. Em vez de focar apenas em “chegar lá”, curta cada beijo, toque, respiração ofegante… Acredite, as preliminares ficam ainda mais excitantes quando não tem hora para acabar e prestamos atenção em todos os nossos sentidos. No clímax, você estará extremamente conectada ao parceiro e terá a certeza de que foi muito bom para os dois.
É inútil forçar os ritmos da vida. A arte de viver consisteem aprender a dar o devido tempo às coisas.
Carlo Petrini, fundador do Slow Food
Slow food
Aqui, a ideia é (re)descobrir o prazer de comer. Fundado por Carlo Petrini, em 1986, em alusão ao crescimento do fast-food, tornou-se uma associação internacional sem fins lucrativos três anos depois. Atualmente, conta com mais de 100 mil membros, escritórios em países como Itália, Alemanha, Suíça, Estados Unidos, França, Japão e Reino Unido e apoiadores em cerca de 150 países. No cardápio? Somente alimentos bons (saudáveis e saborosos) e produzidos de modo limpo e justo (com baixo impacto ambiental e respeitando quem produz, processa e distribui).
Slow fashion
Este é um tipo de moda muito especial. Deve ser durável (por oposição a roupa que no ano seguinte sai de moda), optam-se por produtos de vendedores locais ou provenientes de comércio justo, utilizam-se tecidos antigos reciclados (transformando aquele vestido que deixamos de usar, em algo novo) ou tecidos novos biológicos, opta-se pela qualidade em detrimento da quantidade. Este é também um estilo de moda mais personalizado e menos padronizado e onde se valoriza o “faça você mesmo”.

Slow city
Sabe o que Tiradentes (MG) e Antônio Prado (RS) têm em comum? Foram os primeiros municípios brasileiros a receberem o título de slow city, conquistado após uma análise que envolve o tamanho da população local, que deve ser inferior a 50 mil habitantes, e outros 54 requisitos, como o incentivo à produção artesanal e o controle da emissão de gases nocivos ao meio ambiente.
Slow living
Num conceito mais geral, significa viver calmamente, sem estresse, com relações mais leves, tempo para si mesmo e para descansar, saber apreciar a natureza e as coisas simples da vida e priorizar a qualidade de cada momento. É ter capacidade de diminuir o ritmo da vida e desacelerar quando necessário. Isso só é possível se você é desapegado, consegue rir de si mesmo, presta atenção aos sinais que seu corpo dá, é paciente e trabalha constantemente o seu autocontrole.
O principal mesmo é “saborear” as coisas, o ser solidário, o respeito pelo ambiente e a busca de uma vida saudável e feliz.
Pitaco: Não existe milagre. É preciso dar tempo ao tempo e ter força de vontade para mudar o ritmo de vida, mas vale a pena. Ao final do processo, a recompensa virá em forma de um bem-estar sem igual. Devagar, sem pressa, sem ansiedade. Um passo de cada vez. Devagar e sempre.
O que você pode fazer para experimentar o movimento slow?
Fontes de pesquisas: slowfoodbrasil/corpoacorpo