
As festas de fim de ano estão chegando, e a grande dúvida é: como serão os encontros familiares em meio a uma pandemia? Apesar de uma temporária estabilização no número de casos da Covid-19, todo o país vê um novo crescimento, inclusive com dados recordes, no início de novembro.
Os cuidados adquiridos e praticados durante o período de restrições e distanciamento social devem ser mantidos. Longas celebrações que envolvam grande número de parentes e amigos, portanto, são desaconselhadas. Idosos e demais integrantes de grupos de risco continuarão necessitando de atenção especial.
A questão principal é o contato com outras pessoas, principalmente em momento de alimentação: vai haver risco. Temos que nos convencer de que as festas serão adaptadas, mas claro que não proibidas. Tem que ter bom senso: reuniões com 50 pessoas no sítio da família terão que ser evitadas. Quanto mais pessoas se juntarem, principalmente vindas de lugares diferentes, maior vai ser o risco de acontecer uma tragédia na família. Para não transformar o seu fim de ano em um momento de dor, a recomendação é que haja um grande esforço para evitar o contato.
A seguir, confira dicas dos infectologistas Claudio Stadnik e Marcelo Carneiro, ambos membros da Sociedade Rio-Grandense de Infectologia.
Tamanho, local e duração das festas
- O mais cauteloso é organizar comemorações com duração e número de pessoas reduzidos em relação a anos anteriores. Procure restringir a lista de convidados ao núcleo familiar mais próximo ou que conviveu durante os últimos meses. O infectologista Claudio Stadnik apela para o bom senso de todos: um ano de tantas limitações e cuidados não pode ser desperdiçado na “saideira”.
- Escolha ambientes ao ar livre ou com boa circulação de ar.
- Mais vulneráveis à doença, os idosos não precisam ser privados desses encontros, mas devem ser mantidos em segurança, com máscara e afastados dos demais. Quem estiver em isolamento desde o início da pandemia precisa tomar mais cuidado do que aqueles que já restabeleceram a circulação por determinados lugares.
- O mais indicado é que pessoas acima de 60 anos não estejam presentes do início ao fim da celebração, priorizando o momento da refeição. Pode ser uma proteção exagerada, pondera o infectologista Marcelo Carneiro, mas, se alguém acabar adoecendo, não haverá como voltar atrás depois.
- Reflita sobre a distribuição mais adequada dos participantes. Idosos ao redor da mesa e demais participantes em outros pontos pode ser uma saída. Observe sempre a distância segura entre todos.
- Crianças que já tiverem retornado às aulas presenciais representarão um risco maior de transmissibilidade do coronavírus.
Comportamento dos convidados
- Deve-se manter o distanciamento de um metro e meio a dois metros.
- A máscara só deve ser retirada na hora de comer e beber. Nesses momentos, se o acessório ainda estiver em condições de seguir em uso depois, acondicione-o em uma embalagem limpa. Leve outras unidades para trocar (após duas horas de uso ou quando ficar úmida).
- Evitar o toque continua sendo fundamental. Beijos, abraços e apertos de mão ainda são saudações não recomendadas.
- Por mais que avós e netos estejam com muita saudade do convívio próximo, não é o momento de afrouxar as restrições. Não tocar é uma demonstração de afeto e cuidado. Claro que há exceções: idosos que cuidaram dos netos ao longo do ano, por exemplo, já estão habituados ao toque.
- Beber demais significa aumentar o risco de se expor a comportamentos de risco – a certo ponto da festa, alguns podem acabar retirando a máscara e desrespeitando as demais orientações de segurança.
- Falar alto, gritar, cantar: quanto mais exercício vocal for feito, maior é a capacidade de disseminar gotículas com vírus no ambiente.
Celebrações entre amigos e colegas de trabalho
- Valem as mesmas regras das festas familiares: não promova aglomerações ou encontros que durem horas e horas.
- O infectologista Marcelo Carneiro pontua uma diferença fundamental: uma coisa é promover festinhas entre as pessoas que estão habituadas a trabalhar juntas – e que já são as contactantes umas das outras –, e outra, bem diferente, é reunir os amigos que não se veem desde março. Para quem está longe há meses, vale renovar o esforço em prol da saúde e aguentar a saudade por mais tempo.
Viagens
- Companhias aéreas e de ônibus estão tomando cuidado para oferecer viagens seguras. É preciso lembrar, no entanto, que a circulação de pessoas entre cidades e Estados que estão em estágios diferentes da pandemia podem se contaminar ou carregar o vírus junto para seus destinos. De acordo com Stadnik, existe o temor, entre especialistas, de que a segunda onda da covid-19 estará associada às festas de final de ano.
Sintomáticos
- Não menospreze sintomas como tosse, dor de garganta e dor de cabeça: você pode estar com covid-19 e não deve comparecer a qualquer evento, mantendo-se em isolamento e, se necessário, buscando atendimento médico. A orientação vale também para os seus contatos diretos.
- Importante ressaltar que a febre não aparece em todos os casos da doença.
- Indisposição e mal-estar geral também podem ser indícios da infecção por sars-cov-2.
Pitaco: Enfim, resumindo:
- Divida a família em grupos menores para as festas de fim de ano, de no máximo seis pessoas.
- Combine a ceia em um ambiente aberto, como pátio. Se não houver como, reúna-se na residência mais espaçosa e com mais janelas e correntes de ar.
- Em vez de ar-condicionado, opte por janelas abertas e ventilador.
- Combine com sua família ou amigos de praticar o autoisolamento por sete dias antes do encontro. Todos precisam seguir a combinação – uma pessoa que descumpra pode infectar a todos.
- Não divida talheres, copos e pratos. Não prove a comida na panela com o talher que você acabou de colocar na boca.

























