Moda e sustentabilidade: a união que não pode ser desfeita! 

A moda está sempre presente em nosso dia a dia, seja o sapato que calçamos até a moda íntima. Agora imagine a quantidade de pessoas existentes no mundo e quantos itens relacionados ao mundo da moda elas consomem? Segundo um estudo, são produzidas uma estimativa de 150 bilhões de peças ao ano pela indústria da moda global. Cerca de 30% desses produtos nunca foram vendidos. Logo, o meio ambiente sofre com as consequências de mais de 12,8 mil toneladas de roupas enviadas para aterros sanitários, anualmente. Apesar dos aterros sanitários terem vantagens como geração de energia com motores a gás e redução da liberação de metano na atmosfera, eles também possuem inúmeras desvantagens. Como a contaminação dos lençóis freáticos. E o pior, nem sempre o descarte de roupas e outros dejetos produzidos pela indústria da moda, são enviados para aterros. Eles podem ser deixados na própria natureza sem nem um tratamento específico, prejudicando ainda mais o meio ambiente ou encaminhados para lixões, que é ainda mais prejudicial. Por isso, o que precisamos evitar é o consumo e a produção descontrolada de itens que não representam uma necessidade real na vida dos consumidores.

E foi a partir de todas essas implicações, que a moda sustentável surgiu. A moda sustentável visa diminuir os impactos ecológicos, usando técnicas que não agridem o meio ambiente e garantem a roupa muita qualidade, evitando o descarte exacerbado e o consumo descontrolado. Este tipo de produção também se preocupa com o ambiente de trabalho em que as pessoas estão inseridas. Afinal, mesmo que estejamos em pleno século XXI, a escravidão moderna ainda existe, vitimando inúmeras pessoas que trocam sua mão de obra por necessidades básicas que são essenciais para a vida humana.

Nesta postagem vamos abrir os seus olhos para um novo mundo que possibilita inúmeras opções para a produção consciente e principalmente sustentável para o meio ambiente. Afinal, quando cuidamos da natureza, também cuidamos do nosso bem-estar.

Slow Fashion

Vamos começar falando sobre o tipo de produção slow fashion. Ao pé da letra, slow fashion significa moda lenta ou devagar. Este termo foi criado nos anos 2000 na Itália, derivado do slow food. Totalmente inverso ao fast food, este movimento tem como objetivo priorizar um estilo de vida saudável, que fuja da correria do dia a dia. Sempre deixando a rotina o mais natural e amigável possível em relação à natureza. Afinal, o meio ambiente oferece tudo o que precisamos para ter uma vida de qualidade.

Na moda, o slow fashion também prioriza características como a qualidade da roupa, aumentando a vida útil do modelo. Além da qualidade, os materiais usados para a confecção das peças, são fundamentais para caracterizar esta modalidade. A matéria prima usada é sustentável, sem o uso de produtos químicos para a tintura, por exemplo. O tingimento é um dos principais problemas causados pela indústria têxtil. São usados cerca de seis a nove trilhões de litros de água a cada ano, somente para tingir tecidos. Esta quantidade equivale a mais de dois milhões de piscinas olímpicas. Já imaginou a quantidade de água desperdiçada? E o pior, esta água se torna totalmente inutilizada por ser tóxica. A solução é o uso de tecnologias e outras formas de tingimento que agridem menos a natureza.

O grande problema relatado pelas pessoas na hora hora de adquirir um modelo produzido pela modalidade slow fashion é o valor. Mas como falamos, estas roupas possuem valor e não preço. Com certeza um produto slow fashion tem muito valor agregado, desde a consciência em priorizar a natureza, até a humanidade em relação aos envolvidos no processo de produção. Mas se os valores fogem da sua realidade, os brechós são uma ótima opção para você comprar uma roupa de qualidade e ainda contribuir para o meio ambiente.

Fast Fashion

Totalmente na contramão do slow fashion temos o fast fashion. Esta modalidade tem um processo de produção que impacta tanto a natureza quanto a sociedade. A roupa de fast fashion produz cerca de 400% a mais de carbono do que uma roupa produzida  na modalidade slow fashion. As consequências do carbono são inúmeras na natureza, como chuva ácida, desequilíbrio do efeito estufa, poluição do ar e inúmeras outras consequências que também fragilizam a nossa saúde, com a propagação de até mesmo vírus letais.

Também não podemos deixar de falar dos impactos na sociedade causados por este tipo de produção. Principalmente em países que têm um alto índice de pessoas vivendo na pobreza, esta modalidade se torna uma saída para muitos indivíduos que não tem outras oportunidades para manterem até mesmo suas necessidades básicas, como alimentação e moradia. Em 24 de abril de 2013 aconteceu uma das maiores tragédias já registradas na história da indústria têxtil: o desabamento em Bangladesh. Este acidente matou cerca de 1134 pessoas e feriu uma estimativa de 2500 pessoas. Muitos dos sobreviventes sofreram mutilações como a perda de membros e até mesmo dos movimentos. A maioria desses trabalhadores prestavam serviços para grandes magazines do mundo da moda.

Este acidente evidenciou a falta de responsabilidade não só com o meio ambiente, mas também com as pessoas, que enfrentavam longas jornadas de trabalho em troca de poucos recursos. Em muitos casos as mães levam seus filhos para a fábrica por não terem com quem deixá-los. Consequentemente, a maioria dessas crianças não têm acesso à educação e acabam começando a trabalhar ainda na infância e tendo o mesmo destino de seus pais.

Após a tragédia em Bangladesh, depois de muita pressão política, alguns acordos foram instaurados para preservar a segurança dos trabalhadores.  O Acordo de Bangladesh ou Bangladesh Accord, prevê que empresas instaladas no país, sejam nacionais ou internacionais, mantenham minuciosas inspeções que avaliem a segurança do prédio, assim como medidas que evitem novas estratégias. Como equipamentos de segurança, estrutura anti-incêndio dentre outros.

Brechó

Como já falamos em tópicos anteriores, os brechós são uma excelente opção para evitar o descarte desnecessário de roupas. Assim como tornar possível para todos os públicos modelos de qualidade por um valor que cabe no bolso da maioria. É muito comum que as pessoas confundam brechó com bazar, que possuem certa semelhança mas tem como principal diferença a forma de contato com o cliente. Ou seja, o bazar é aquele tipo de ação que por muitas vezes pode ser beneficente é realizada por instituições como igrejas, orfanatos, escolas, dentre outros. As roupas não passam por nem um tipo de curadoria e são dispostas de forma amontoada sem muita preocupação com o cliente. Uma característica interessante dos bazares é o cheiro. As roupas costumam ser antigas e quando principalmente existem um grande número de peças dos anos 70, o cheiro é bastante característico. Isto porque nos anos 70 houve a eclosão do poliéster, que de fato emana um odor próprio do tecido.

Já os brechós, se tornaram até mesmo uma fonte lucrativa de renda para quem quer um dinheirinho extra ou está desempregado. Totalmente oposto do bazar, o brechó passa por uma curadoria minuciosa. O proprietário vai em busca de modelos que se encaixem com a identidade visual da sua marca e agradem os seus clientes. Os bazares são usados até mesmo para fornecer as peças. Preparamos uma lista com algumas das vantagens de comprar em brechó:

  • Economia de dinheiro – Como já falamos, os brechós são uma excelente oportunidade para você que quer diminuir os impactos da indústria têxtil mas não tem condições de consumir roupas produzidas na modalidade slow fashion. E o melhor, você pode ter aí no seu guarda-roupa marcas famosas por um valor super acessível;
  • Amigável a natureza – Os brechós geram um impacto positivo direto na natureza. Afinal, as roupas que antes seriam descartadas, agora voltaram para o mercado, diminuindo uma porcentagem significativa da quantidade de resíduos em lixões, aterros e até mesmo na natureza. E é claro, como a compra de roupas novas diminui, a  demanda em fábricas também cai, reduzindo por consequência os impactos ambientais. E o melhor, a maioria das roupas disponibilizadas em brechós costumam ser de bastante qualidade, por resistirem mais de um dono. Logo, em grande parte elas são produzidas de forma consciente a sociedade e a natureza;
  • Consumo responsável – O consumismo é um dos principais contribuintes ao fast fashion. Afinal, o consumo exacerbado aumenta a demanda na confecção de novas roupas, que por consequência dependendo da forma de produção, gera impactos negativos ao meio ambiente. Logo, com os brechós você renova o seu guarda-roupa sem manter o ciclo de consumo que favorece esta modalidade rápida de produção que não respeita a sociedade e muito menos a natureza. 

Características de uma marca sustentável

Toda marca que preserva o bem-estar da natureza e do meio social tem algumas características em sua maneira de produção e até mesmo posicionamento perante o mercado que fazem toda a diferença. Infelizmente muitas marcas vêm se pintando de verde, ou seja, praticando um termo chamado de greenwashing. Também conhecido como banho verde, este termo é relacionado com empresas que dizem ter consciência perante a natureza, fazendo o possível para reduzir os impactos ambientais que a sua empresa gera, no entanto, não passam de meras palavras que só servem para promover sua marca perante a mídia. 

Para a partir de agora você aprender  a identificar uma marca que realmente se preocupa com o meio ambiente, separamos algumas características que não pode faltar em uma marca sustentável:

  • Reaproveitamento – Muitas marcas usam da técnica de reaproveitamento para até mesmo gerar ainda mais lucro para as suas empresas. Até mesmo novas empresas são criadas produzindo seus produtos apenas com materiais reutilizáveis, como acessórios feitos com restos de obra. Não para por aí, algumas marcas pertencentes à indústria da moda íntima também vem se reinventando e criando produtos feitos de retalhos, por exemplo, que sabendo como comprar a lingerie perfeita, vão te deixar ainda mais linda e amiga do meio ambiente. Caso você tenha uma empresa que gere resíduos apropriados para serem reaproveitados, mas não queira fabricar novos produtos com esta matéria prima,  disponibilize aos seus funcionários outras pessoas que tenham interesse neste tipo de produção;
  • Tingimento – Como já falamos em tópicos anteriores, o tingimento artificial é um dos principais vilões quando o assunto é a água do nosso planeta. É absurda a quantidade de água usada mensalmente para esta finalidade. E o pior, por mais que já existam algumas tecnologias capazes de minimizar este impacto, muitas empresas não usufruem dessas inovações em pró da natureza. Empresas principalmente que aplicam em seu processo de produção o slow fashion, usam para tingir produtos naturais extraídos na natureza que não prejudicam o meio ambiente;
  • Tecidos Eco-friendly – Tecido Eco-friendly, ou melhor, tecido sustentável, é aquele que tem como matéria-prima elementos amigáveis ao meio ambiente. Dentre eles, um exemplo é o algodão orgânico. Este tipo de tecido vem ganhando fama na moda sustentável ocupando grande parte das produções. Outro exemplo é o poliéster reciclado que é feito a partir de garrafas de plástico, que tem como principal benefício em sua produção a baixa emissão de carbono assim como menos uso de energia.

Gostou da postagem?

Preparamos este post para te informar sobre o que acontece no mundo da moda e a importância de ser consciente das consequências e impactos que o meio ambiente sofre com atitudes que não levam em conta a saúde da natureza, que consequentemente nos impactam de forma negativa.

Por isso, a importância de sabermos cada vez mais sobre a moda sustentável e fazermos o possível para a consumirmos, diminuindo os danos ao meio ambiente que acabam sendo prospectados pelo consumismo exacerbado sem consciência. 

Não esqueça de deixar o seu feedback aqui nos comentários, é um prazer ter você aqui com a gente.

Um abraço e até a próxima!

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13 respostas para Moda e sustentabilidade: a união que não pode ser desfeita! 

  1. Pingback:   – CURIOSIDADES NA INTERNET

  2. Pingback: Moda e sustentabilidade – Um canceriano sem lar.

  3. Quantas opções, adorei.

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  4. Juju Bela disse:

    Muito esclarecedor seu artigo.

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  5. Adoro procurar novidades nos brechós. 🙂

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  6. Ciao
    Grazie per essere passato al mio blog.
    Non so se sto seguendo il tuo blog.
    Mi farebbe piacere seguirti.
    Ho dovuto negli ultimi tempi dare priorità a chi mi segue, mi sembra una cosa giusta e corretta.
    Seguivo molti blog che però non mi seguivano, sai richiede molto tempo.
    Comunque da ora seguo anche te e spero che ricambi seguendo il ​​mio blog anche tu…
    Cosi non ci perdiamo di vista.
    Un bacio
    Buon week end
    Natalia?

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  7. barbara1009 disse:

    Ótimo artigo.

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